Conservação de Jogos: Reflexões do Criador sobre a Indiferença da Indústria

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Um dos principais desafios relacionados à preservação de jogos é, ironicamente, as próprias empresas que possuem os ativos e o código. Como já revelou Tim Cain, criador de Fallout, quase perdemos o código-fonte do jogo original, mas felizmente isso foi evitado, não graças à empresa responsável pela criação.

Cain voltou a comentar sobre esse tema em seu canal no YouTube, lamentando o fato de que os detentores da propriedade intelectual assumem a “autoridade” sobre o código, mas esquivam-se da “responsabilidade” de preservá-lo adequadamente para as futuras gerações. “Eu já perdi algumas coisas, e tento fazer um esforço para manter muitas delas, então consigo entender porque as empresas perderam materiais”, explica Cain em seu vídeo mais recente. “No entanto, elas tinham a responsabilidade de fazê-lo. Acho que essa é a diferença.”

Atualmente, a preservação de código é mais simples do que era na década de 1990. Como Cain aponta, os códigos costumavam ser salvos em fitas DAT, que possuem uma vida útil curta antes de começarem a se deteriorar. Garantir que códigos e ativos sejam preservados é muitas vezes um processo complicado – e isso antes de lidar com editores e estúdios que ordenam a eliminação de dados ao término do desenvolvimento. “Eles me disseram para destruir tudo”, diz Cain, referindo-se à pressão dos editores. “Eu fiz… Quando você é ameaçado com um processo, você deleta tudo.”

O que realmente irrita Cain é o fato de que os proprietários da propriedade intelectual reivindicam esses materiais e não permitem que os desenvolvedores os preservem, mas não fazem o trabalho duro por conta própria: “Há alguns meses, fiz um vídeo sobre a preservação de jogos. Muitas empresas perderam coisas. Eu meio que soei irritado com isso, e de certa forma sou. Se você assume a autoridade para manter esses itens e diz a outras pessoas que elas não têm direito, então você também tem que assumir a responsabilidade por sua preservação. Isso realmente me incomoda quando repetidamente empresas, e especialmente pessoas em cargos elevados, tomam autoridade sem carregar a responsabilidade.”

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