Lançado exclusivamente no Japão em 1996, Cyber Doll é um RPG para o Sega Saturn que se destaca com sua ambientação cyberpunk, bem singular para a década de 90. Em um mundo ameaçado por uma doença que relaxa os músculos, a humanidade é forçada a buscar soluções tecnológicas, utilizando implantes cibernéticos que garantem a sobrevivência daqueles afetados. Contudo, durante a sequência de introdução (narrada em inglês), surge uma nova enfermidade capaz de atacar tanto humanos quanto ciborgues, resultando na formação de uma força-tarefa chamada ‘Debugger’. Criado pela Betop e publicado pela I’Max, o jogo contou com a colaboração de Hiroyuki Kotani (Ape Escape, Patapon) e teve os designs de personagens criados por Yasushi Nirasawa (Shin Megami Tensei IV, Enemy Zero), além de sequências CGI por Takahide Murakami (Suikoden) e Hiromichi Sueyoshi (Sakura Taisen). Apesar da obscuridade do estúdio de desenvolvimento, há um surpreendente pedigree associado a este título.
Vamos entrar no universo de Cyber Doll, um RPG cyberpunk para o Sega Saturn, produzido e lançado pela I’Max Corp, que antes trabalhou em Dual Orb. Essa pérola é simplesmente incrível e definitivamente reflete a essência da época em que foi criada! O jogo apresenta muitos elementos interessantes, como um sistema de mira em membros durante os combates, uma variedade imensa de armas e a possibilidade de usar membros de inimigos derrotados para melhorar os próprios personagens. E o melhor: as menus incluem uma boa quantidade de texto em inglês, o que significa que você pode jogar tranquilamente mesmo sem entender japonês (embora perca a história, é verdade). Se você está curioso para descobrir mais sobre essa aventura, dê uma olhada nesse vídeo maravilhoso e adianta para o minuto 29:26!
Até agora, não existia uma tradução em inglês para Cyber Doll, mas parece que uma está a caminho, graças ao TrevoStuden. O projeto foi anunciado em novembro do ano passado, com janeiro de 2026 sendo uma data provisória considerada para o lançamento. No entanto, TrevoStuden admitiu que está utilizando inteligência artificial de várias formas para essa empreitada. “Estou usando Python para criar diferentes scripts e tentando empregar IA para injetar o texto traduzido do Google Tradutor”, contou ele em novembro. E para deixar claro:
“Vai acontecer, mas se a tradução será boa ou não, depende dos jogadores. Estou usando IA no script e traduzindo a partir de outras fontes. Não vou traduzir manualmente cada bloco de texto. Sempre fui muito contra essa tecnologia, mas quando comecei a usá-la para fazer perguntas, em vez de encontrar motivos para criticá-la, realmente me ajudou bastante em meu trabalho.”
O uso de inteligência artificial é um tema bastante discutido atualmente. Embora a IA traga benefícios e serviços de tradução automática — como o Google Tradutor — possam abrir portas para que livros, filmes e jogos cheguem a mais pessoas, o emprego de traduções de máquina em jogos retro é frequentemente visto com desconfiança. Manter o significado e a sutileza do texto japonês é um desafio já para humanos; deixar a IA no comando pode resultar em erros ainda mais sérios.
Essa situação levanta preocupações, pois jogos obscuros como Cyber Doll podem receber traduções de baixa qualidade, eliminando a necessidade (ou desejo) de um tradutor se arriscar numa versão mais fiel. Isso poderia resultar em uma queda na qualidade das traduções feitas por fãs, que, muitos argumentam, atingiram um excelente nível nos últimos anos, graças ao talento de tradutores humanos que se importam de verdade com o material que traduzem, garantindo que o respeito ao que o autor original quis expressar seja mantido.
Por outro lado, sem a assistência da IA, será que um jogo como Cyber Doll conseguiria alguma vez ser traduzido? Compartilhe suas opiniões nos comentários!
