Em 2022, tive a oportunidade de analisar o compacto Miyoo Mini, um dispositivo de emulação portátil que cabia em qualquer bolso e que rodava praticamente todos os jogos até a era do PS1. Quatro anos depois, a Miyoo decidiu dar uma repaginada nesse hardware, desta vez sob a forma de um dispositivo dobrável. O Miyoo Mini Flip, que custa cerca de 70 dólares, se inspira em seu irmão maior, o Miyoo Flip (uma versão do GBA SP lançada no ano passado), oferecendo uma maneira compacta e razoavelmente poderosa de reviver os clássicos dos games em qualquer lugar. Mas será que vale a pena esse investimento modesto em um mercado tão saturado? E será que as especificações de 2022 ainda dão conta do recado em 2026? Vamos descobrir!
Antes de mergulharmos no desempenho do Miyoo Mini Flip, é importante comentar um pouco sobre seu design. Com o dispositivo fechado, ele é um dos consoles de emulação mais portáteis que você pode encontrar – sua aparência é super elegante. A qualidade de construção é excelente e ainda vem com uma capinha protetora. Resta saber se a dobradiça resistirá ao mesmo tipo de problema que o Flip original enfrentou. O tempo dirá, mas até o momento, parece bem robusta.
O tamanho reduzido não apresenta dificuldades para minhas mãos pequenas, mas pode ser desconfortável para quem tem mãos maiores. Contudo, levando em consideração tudo isso, as ergonomias do Miyoo Mini Flip são surpreendentemente boas para um dispositivo tão diminuto; de alguma forma, ele se encaixa perfeitamente nas mãos, permitindo que seus dedos se posicionem nos lugares certos.
Como já mencionado, o chipset Cortex-A7 de 1,2 GHz do Miyoo Mini Flip é o mesmo do modelo anterior, então o desempenho é bastante semelhante. Jogos clássicos como Game Boy, SNES, Mega Drive, GBA, Master System e muitos outros de fliperama rodam perfeitamente neste dispositivo. A única exceção se dá nos jogos de PS1, onde você pode encontrar alguns pequenos engasgos, mas nada que torne a experiência intragável.
A tela IPS de 2,8 polegadas com 750×560 pixels é a mesma, e como foi um dos destaques do Miyoo Mini, isso é uma boa notícia. Embora os displays OLED sejam os reis atualmente, é difícil encontrar uma tela tão avançada nesse segmento de preço, e a qualidade da tela do Miyoo Mini Flip é satisfatória. O layout dos controles será familiar para qualquer um que já tenha utilizado um dispositivo de emulação nos últimos anos, com um D-pad, quatro botões frontais e quatro botões de ombro. Não há entrada analógica, mas não haveria espaço para dois sticks e, honestamente, eles não fariam muito sentido num aparelho desse tamanho e formato.
O D-pad é bem responsivo e não possui muito deslocamento, mas tem uma precisão surpreendente; não percebi diagonais falsas durante meu tempo de uso. Porém, não é o melhor controle para movimentos fluidos, então pode levar um tempo para se acostumar se você for jogar títulos de luta.
Além disso, a bateria de 2500mAh oferece cerca de três horas de uso, desde que você mantenha o brilho da tela em níveis razoáveis e evite jogar PS1 o dia todo. Sobre o carregamento, não consegui fazer o Miyoo Mini Flip funcionar com meu carregador rápido, então tive que usar o cabo USB-C para USB-A incluído e um carregador antigo de iPhone de 5W. Como o dispositivo é bem pequeno, só há um slot para cartão MicroSD e uma única porta USB-C, o que gera um problema: se você quiser usar fones de ouvido, precisará conectar o adaptador USB-C para 3,5mm que vem na caixa (uma solução bem parecida com a que a Nintendo adotou ao lançar o GBA SP anos atrás). Isso significa que você não pode recarregar enquanto usa fones. O alto-falante do Miyoo Mini Flip é alto, mas falta um pouco de profundidade, tornando os fones a melhor opção na maioria das situações.
A MechDIY foi gentil e enviou um exemplar para revisão do Miyoo Mini Flip já com o admirável Onion OS pré-instalado. Este sistema operacional de terceiros é um dos melhores do setor e realmente facilita a configuração do seu handheld. Vale ressaltar que o Mini Flip agora conta com Wi-Fi, algo que o modelo anterior não possuía – uma adição bastante interessante!
Concluindo a análise do Miyoo Mini Flip: embora não traga um salto significativo em relação ao modelo anterior, ele se mostra um dispositivo mais atraente. O design dobrável não apenas aumenta a portabilidade, mas também melhora a ergonomia. Se você está buscando emulação de alto nível, talvez não seja a melhor escolha, mas é perfeito para quem deseja redescobrir as eras de 8 e 16 bits de forma prática e acessível.
Realmente portátil
Emulação de 8 e 16 bits muito sólida
Tela excelente
Limite nos jogos de PS1
Impossibilidade de carregar e usar fones ao mesmo tempo
Alto-falante poderia ser melhor
Ótima avaliação: 8/10
