Em março do ano passado, tive a sorte de avaliar o AYANEO 3, um console portátil baseado em Windows que custava quase $2.000 na sua versão mais completa. Equipado com processadores AMD Ryzen de última geração, capazes de rodar jogos AAA com facilidade e com uma tela OLED de alta definição, o AYANEO 3 se tornou meu console principal em 2025 — e isso não mudou até agora.
Mas a real razão pela qual levo esse dispositivo comigo em todos os lugares não é apenas sua potência de processamento — é o sistema de controle modular que ele possui. Chamados de “Magic Modules” pela AYANEO, esses controladores intercambiáveis permitem que eu configure meu setup para qualquer jogo específico.
Vou ser sincero: apesar de adorar que o AYANEO 3 roda Cyberpunk 2077 sem esforço, eu o uso mais como um dispositivo de emulação, já que ele consegue lidar com praticamente qualquer sistema retrô que eu queira. No momento, estou jogando Gradius V em resolução x3, e funciona lisinho como um sonho.
Todos sabemos que nem todo hardware retrô tinha os mesmos layouts de controle na época (pelo menos até recentemente, quando o combo de “duas alavancas e quatro botões” se tornou o padrão quase universal). Sou um grande fã do Sega Saturn, e seu controle de seis botões era perfeito para os jogos de luta da Capcom. Mas também amo o SNES, então preciso de um D-Pad sólido além do tradicional layout de botões em diamante.
Os Magic Modules do AYANEO 3 permitem que eu personalize minha interface para se adequar ao sistema que estou emulando, garantindo que o D-Pad fique exatamente onde deve estar — acima da alavanca analógica esquerda. O AYANEO 3 ainda me oferece a opção de um D-Pad em cruz tradicional e uma opção “rolável”, semelhante à encontrada no Mega Drive e no Saturn.
Pode parecer um detalhe pequeno, mas para mim, já perdi a conta de quantas vezes desanimei com consoles portáteis apenas porque os controles não se ajustavam ao que eu precisava. Chegamos a um ponto em que as empresas esperam que seus dispositivos portáteis sejam “tamanho único”, e isso definitivamente não é verdade.
Pegue o Switch como exemplo; há uma verdadeira mina de clássicos retrôs nesse sistema, mas ele nem vem com um D-Pad adequado, forçando-me a usar as alavancas analógicas na maioria dos jogos. E claro, existem controladores de seis botões no mercado, mas e se eu quiser usar esses seis botões em modo portátil? É frustrante que a Nintendo nunca tenha lançado Joy-Cons com opções de controle extras, deixando empresas como a Hori para resolver a situação.
Infelizmente, embora eu tenha elogiado os Magic Modules do AYANEO 3 em março de 2025, a indústria claramente não viu isso como um atrativo. Certo, a concorrente Mangmi incorporou algo semelhante em seu novo handheld Pocket Max, mas os módulos desse sistema são decepcionantemente limitados em comparação com os do AYANEO.
Para piorar, até a AYANEO parece ter abandonado essa inovação; o Next 2, o novo aparelho topo de linha da empresa, volta para um arranjo de controles mais tradicional e fixo. Resta saber se a empresa chinesa retoma esse conceito em um futuro handheld, mas uma coisa é certa — enquanto isso não acontece, o AYANEO 3 continuará sendo meu portátil favorito para emulação.
