Uma Perspectiva Crítica sobre a Ascensão e Queda dos Jogos Japoneses

Redação
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Oji Hiroi, o criador das séries Sakura Wars e Far East of Eden, recentemente compartilhou suas reflexões sobre a situação da indústria de videogames e animes no Japão. Ele acredita que o Japão perdeu sua liderança nesse campo no início do século, devido à dependência excessiva de sequências.

Em uma conversa com a Business Hit, Hiroi – que possui vasta experiência nas duas indústrias, incluindo passagens por Lucasfilm e Pixar – afirmou que, na metade dos anos 90, a criatividade e o talento japoneses estavam em alta:

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“Naquela época, tanto o Japão quanto eu estávamos surfando uma onda de sucesso. Acreditei verdadeiramente que o Japão era o número um no mundo, tanto em jogos quanto em animes, e, confesso, parte de mim subestimava a América. Quando fui para lá, me perguntei: o que vocês planejam fazer nesse ambiente? Afinal, a Hudson foi pioneira ao tornar a tecnologia CD-ROM uma realidade, e até o Michael Jackson estava ligado à Sega nos anos 90. O Japão realmente estava na vanguarda da criatividade mundial.”

Embora Hiroi reconheça que a indústria de animes no Japão tenha prosperado nos últimos anos, tornando-se uma força global, o mesmo não pode ser dito sobre os videogames:

“A tendência se tornou lançar sequências imediatamente, como ‘2’ e ‘3’, assim que um título fazia sucesso. Sabe por que isso ocorreu? A mentalidade que prevaleceu foi a de que, sendo uma sequência, poderíamos produzi-la com um custo menor. Quando um jogo tem boas vendas, o passo seguinte deveria ser investir ainda mais para aumentar seu valor. Mas, em vez disso, a indústria acelerou para a ideia de que, já que vendeu, da próxima vez vamos reduzir custos e garantir lucros.”

Hiroi – que também é conhecido por trabalhos como Madō King Granzort, Samurai Crusader e Moeyo Ken – acredita que o status do Japão nos anos 90 na indústria de jogos foi o que contribuiu para sua atual estagnação:

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“Como o mercado de jogos do Japão era líder mundial, havia pouco incentivo para pensar em como competir internacionalmente ou expandir globalmente. Enquanto as coisas continuavam circulando dentro do Japão, o modelo de negócios funcionava.”

Vale lembrar que desenvolvedores ocidentais se tornaram igualmente dependentes de sequências e lançamentos sem riscos, especialmente no universo dos jogos AAA. Contudo, os títulos independentes têm preenchido, de certa forma, o vazio no que se refere a experimentação e novas ideias. Embora o Japão também possua uma parcela de jogos independentes, o mercado pode não estar tão aquecido quanto no Ocidente.

Essa não é a primeira vez que a influência do Japão no cenário dos videogames é questionada. Em 2012, o criador de Fez, Phil Fish, recebeu críticas por afirmar que os jogos japoneses “simplesmente não eram bons”, e, mais recentemente, Keiji Inafune se mostrou crítico em relação ao medo da indústria em assumir riscos e à dependência excessiva de propriedades já existentes.

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