Primeiras impressões sobre o Abxylute E1 (R$ 70 / £ 52) não são das melhores, é bom dizer. O corpo de plástico preto parece um pouco barato e, embora a iluminação LED verde chame a atenção, rapidamente percebi que preferia desligá-la. No entanto, aprendi que, no mundo dos portáteis de emulação, a aparência não é o único fator que conta. O Abxylute E1 tem um design confortável, um D-pad decente e uma quantidade surpreendente de potência para um dispositivo nessa faixa de preço.
O portátil é alimentado por um Rockchip RK3266 com clock de 1,8 GHz, que não é nada de mais. Ele vem com uma tela IPS de 3,5 polegadas e resolução de 640×480 pixels – novamente, nada inovador (na verdade, a tela decepciona um pouco em relação ao brilho, contraste e profundidade de cores). Juntando isso a alto-falantes fracos, o pacote começa a parecer ainda menos atraente. Contudo, o Abxylute E1 se destaca na emulação de jogos de PS1, N64 e Dreamcast, além de incluir alguns títulos de PSP. Não diria que ele lida com todos esses formatos com facilidade (alguns jogos 3D mais exigentes enfrentam dificuldades), mas com certeza é potente o suficiente para garantir que os jogos sejam jogáveis.
Além disso, gostei muito do D-pad. Ele pode não estar na posição mais ideal – um pouco mais baixo do que o desejado, o que pode causar cãibras nos dedos após longos períodos de uso – mas o design “rolante” (inspirado nos controles da Sega, aposto) é sensacional; é fácil acertar diagonais e jogar games de luta é um prazer; os movimentos especiais são simples de executar. Ele pode ser um pouco mole para alguns, mas fiquei positivamente surpreso.
Os sticks analógicos são no estilo Switch, aparentemente não são do tipo Hall Effect – o que significa que podem sofrer com drift com o tempo. Outra coisa interessante sobre o Abxylute E1 é que ele conta com um sistema de dual-boot – por padrão, roda um sistema operacional Linux com o Emulation Station, mas é possível mudar para o Android 11 através de um menu especial.
Isso pode parecer uma vantagem, mas é importante notar que o Abxylute E1 não possui uma tela sensível ao toque, tornando qualquer tarefa no Android um desafio – frustrante, na verdade, já que todo o sistema operacional é projetado para ser utilizado dessa forma. Até algo simples, como navegar por uma página da web, se torna um verdadeiro teste de paciência.
Percebi também que, ao rodar emuladores no Android, o desempenho cai drasticamente – o que me fez questionar o motivo da inclusão do sistema. Suspeito que seja para facilitar o processo de transferência de ROMs (que você obterá de sua própria coleção, é claro) para o dispositivo, que, em seu estado padrão, é uma verdadeira dor de cabeça.
A Abxylute oferece um aplicativo “ClickMe” que permite instalar jogos a partir do seu smartphone, mas é bem mais complicado do que deveria ser – adicionando mais frustração a um dispositivo que já é difícil de navegar devido à falta de suporte a toque.
Além disso, o Abxylute E1 possui duas portas USB-C, saída HDMI (um toque legal para um dispositivo tão acessível, devo dizer), um conector para fones de ouvido de 3,5 mm e uma bateria de 3500 mAh, que proporciona cerca de quatro a cinco horas de jogo, dependendo do tipo de emulação que você está utilizando.
No final das contas, o Abxylute E1 deixa uma leve sensação de decepção, mesmo com seu preço relativamente baixo. É verdade que o D-pad é bom e o desempenho é melhor do que se esperava, mas a decisão de incluir o Android foi um erro, e outros aspectos (revestimento barato, tela ruim, som fraco, dificuldade na instalação de jogos) contam contra ele.
Dado que há alternativas melhores, mesmo nessa faixa de preço, o Abxylute E1 é, talvez, melhor deixado na prateleira – a menos que a iluminação LED e um D-pad no estilo Sega sejam prioridades para você.
Design confortável
Bom D-pad
Saída HDMI
Desempenho decente
Falta de touchscreen é frustrante
Tela é ruim
Alto-falantes são fracos
Sensação de ser mais barato do que é
Regular 6/10
